Na década de 40 éramos bem mais pouquinhos e quase desaparecemos com a crise que nos assolou (fome nas Ilhas). A crise era mundial como consequência da segunda guerra mundial e por conseguinte, o mundo não nos podia ajudar (Portugal até podia, visto que éramos também portugueses - de segunda, mas portugueses). A crise existe, os EUA, a Europa e a Ásia estão a tremer e muito, o mundo está globalizado e a nossa economia depende do turismo, da remessa dos imigrantes e dos investidores estrangeiros, para não falar da nossa banca que é 50% de portugueses. Alguêm me explica como podemos estar imunes? Ou será que Deus é mesmo cabo-verdiano?
2 - O Ministro Veiga anda a visitar zonas piscatórias e a fazer promessas do tipo vamos construir mais cais para os pescadores, mais armazéns para guardar peixe, mais isso e mais aquilo ligado à pesca, mas não diz que o grande problema do pescador é a falta de peixe. O nosso mar está a secar meus caros. Os forasteiros já tiraram quase tudo, selvaticamente, para depois vierem com a pouse de civilizado que sabe mais que o preto burro, dizer-nos que temos de lutar contra a caça das tartarugas marinhas. Sabemos que é mau para o ambiente e somos contra esta caça, embora eu pessoalmente compreendo a cabeça do Joe pescador. Como os senhores de fatinho que vem lá dos Europas e de outras partes mais longe estão a acabar com quase toda a vida marítima berdiana, como querem que o Joe pescador sobreviva? A espalhar kasu bodys (como estão a fazer no nosso mar?)? (O Estado faz acordos de pesca com a UE, com o Japão e com mais países em troca de umas migalhas (que serve muitas vezes para uso pessoal e indevido) e esquece que como consequência o Joe pescador terá de desviar cada vez mais da costa berdiana no seu barco artesanal, correndo o risco de fazer um turismo forçado ao Brasil (como já aconteceu várias vezes). Essa é uma das razões do peixe estar mais caro e a inflação cada vez mais elevada.
Há dias um polícia marítimo confessou-me que numa das suas observações a título informal num barco pesqueiro espanhol na Santa Luzia, do nada apareceu um segundo barco e ignorando por completo a presença da polícia, começou-se a fazer transbordo de peixe (é proibido o transbordo no alto mar) para o barco mistério. Quando chegaram ao Porto da Praia (o outro barco estava já a caminho da Europa com os peixes kasubodiados), o capitão entrega-o um saco para dar a uma pessoa importante do sector das pescas. CORRUPÇÃO.
Este é o país que temos.
Não é que gosto de falar mal e deitar tudo abaixo. O problema é que as coisas como estão não podem continuar se queremos, mesmo, desenvolver a nossa sociedade. Conhecendo bem a realidade do país, a sua potencialidade e a sua situação social, depois ouvir altos responsáveis deste país falar duma especie do el dorado (orgulhosamente só) chateia.
Até comungo do pensamento Durkheimiano que o disfuncional é útil porque reforça a coesão social e por conseguinte, faz com que se actue. O problema é que em CV a sensação é que o disfuncional invés de nos unir, reforça ainda mais as disfunções e pior, dopa os agentes tornando-os em indivíduos conformistas.
P.S. Hoje fizeram-me uma pergunta que deu muito que pensar (ainda estou a queimar os neurónios e não tenho resposta positiva): Diz lá uma coisa neste país que funcione bastante bem?


5 comentários:
A corrupçao funciona bem em CV como em todas as partes do mundo!! Se nao compreendem que tudo é questao de roubo, Cabo Verde vai ficar so com as dividas e o interesse desta, nada fora nada... Sem peixe, sem agua, sem luz ... o espectro da fome e da miseria aguardam nas esquinas sem dar conta...
O problema é que se sabe desses fenómenos, mas ninmguêm tem coragem de mecher uma única palha. É verdade que comparado com os restantes países da nossa sub-região e continental, somos os menos corruptos (ou pelo menos éramos), mas o súbto negócio dos terrenos berdianos e o tráfico de droga fezx aumentar a corrupção neste país. Há pessoas que um dia para outro ficam milionários (não estou a falar dos traficantes) e o MP nem sequer se dá o trabalho de os investigar. Repara que a maioria dos políticos (dos 2 lados) saem do governo ou autarquias com os bolsos cheios. Será que são filhos de pescadores ou peixeiras (como o senhor Jacinto) e encontraram um diamantão dentro do peixe (peixe esse que está a desaparecer dos nossos mares devido aos acordos que somos obrigados a assinar pelo FMI e o BM).
FMI, BM e Uniao Europeia, neste caso dos recursos "halieutiques". Jacinto como os outros souberam aproveitar da vaga clientelista MPD e comeu como os outros o pao sujo dos narcotraficantes de todas as partes. Um detalho: Jacinto nao é filho de peixeira, nem pescador mesmo se vem de um bairro de pescadores, a sua condiçao de vida era bem mais dificil! Os politicos de CV sao na grande maioria maus peças para o pais porque nao trabalham, nem refletem minimamente sobre Cabo Verde, os outros assuntos nem falamos... O caminho a frente dos Caboverdianos é pedroso!!
Os nossos políticos de facto estão-se a cagar para o cabo-verdiano e o caso INTERBASE mostra isso mesmo. É verdade que se soube aproveitar da vaga clientelista do MPD, mas convenhamos, o PAICV possui tb uma vaga clientelista infinita (Filú que o diga). Existe uma anedota sobre o Jacinto que diz porque que por ter morado num bairro pescatório (brasil), herdou um diamante encontrado pela mãe (peixeira) dentro de um peixe pescado na Gamboa. Já agora diz-se também que Filú encontrou um diamante vindo de Angola numa tartaruga e uma pomba caçada algures na capital. Só assim se explica o repentino enriquecimento de um antigo funcionário da saúde (Jacinto) e de um professor (Filú) depois de deixarem a CMP.
Jacinto nao trabalhou na saude mas no INC (cooperativas), treinou-se la!! Sim, deve sem duvida nenhuma ter encontrado algum tesouro!! Sim, os amiguinhos da outra turma sao tanto quanto confusentes e de ma exemplo. Afinal sairam todos da mesma lixeira politica pos-independência...
Enviar um comentário